Messi voltou a decidir na vitória argentina sobre a Nigéria
por 3 x 2. Mas, sem ele em campo, a Argentina foi apenas uma equipe comum e
cheia de defeitos
| Crédito: Ricardo Correa |
Foram apenas 30 minutos, mas
suficientes para saber como a Argentina joga sem o seu principal craque. Como
havia previamente acertado com o técnico Alejando Sabella, Lionel Messi saiu
aos 17 minutos do segundo tempo para a entrada do volante Ricardo Alvarez.
Antes, já havia feito dois gols e cobrado o escanteio que resultou no terceiro,
de Rojo. Os argentinos venciam a Nigéria por 3 x 2, em Porto Alegre, e assim
mantiveram até o fim o placar que garantiu o primeiro lugar no Grupo F. Messi,
mesmo poupado, saiu com o terceiro troféu consecutivo de melhor da partida na
Copa.
“Faltavam 30 minutos e falamos: 'vamos
tentar algo que pode ser mais útil mais adiante'”, disse Sabella, logo após a
partida. Por “algo mais útil”, traduza “se trancar, com três volantes”.
Sem o atacante, a Argentina é uma
equipe cheia de defeitos e com poucas qualidades. Di María, mesmo mais
adiantado e em uma posição mais próxima da que joga no Real Madrid, fez sua
melhor partida no Mundial enquanto o 10 esteve em campo, mas se perdeu na falta
de jogadas de referência com o esforçado Higuaín. Agüero, substituído com
suspeita de lesão muscular, manteve a apatia – Lavezzi pode tomar o seu lugar
já na próxima partida, contra o segundo colocado do Grupo E.
A opção ofensiva de Sabella, feita para
o craque do Barcelona brilhar, expõe demais os dois (fracos) zagueiros, Garay e
Federico Fernandez. Eles falharam nos dois gols nigerianos, ambos marcados por
Musa. Zabaleta continua uma avenida na lateral direita, por onde saíram as
jogadas africanas.
“Somos um time ofensivo e, por isso,
temos problemas defensivos. Vamos tentar solidificar mais esse setor. Nas
oitavas, se você faz algo errado, volta para casa”, disse o técnico Alejandro
Sabella.
A sorte da Argentina é contar com um
“jogador de Júpiter”, como definiu o técnico nigeriano Stephen Keshi. Como um
centroavante oportunista, ele abriu o marcador aos 3 minutos, em rebote do
chute de Di María, que aproveitou um excelente lançamento de Mascherano. E pôs
a albiceleste de novo à frente aos 46 da etapa inicial, depois do empate
nigeriano, cobrando falta com perfeição.
Messi em campo significa mais mobilidade e a chance de decidir em
uma jogada individual. Diz querer ser campeão mundial “por não existir algo
mais bonito no mundo”. Os gols contra a Nigéria não foram tão geniais como os
diante da Bósnia e do Irã, mas serviriam para: a) tornar-se o único argentino a
fazer gols em sequência em jogos de fase de grupos; b) igualar os mesmos quatro
gols em partidas consecutivas de Maradona na Copa de 1986, no México. Mesmo com
gols triviais, continua parecendo um jogador de outro planeta. O diabo são os
outros.
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