Europeus despedem-se com vitória e liquidam qualquer chance
dos asiáticos
| Crédito: Marcos Brindicci/Reuters |
O Irã entrou em campo para encarar a
Bósnia - já eliminada, sonhando com a classificação. Para tal, precisava de
duas vitórias. A sua e a da Argentina contra a Nigéria, em Porto alegre. Em seu
último jogo pela primeira fase, a Fonte Nova recebeu seu pior público até aqui.
Mas os iranianos fizeram barulho. Se a Copa é América, na porta do estádio o
clima era de “si, se puede”. De todas as torcidas que já vieram à Bahia, a
iraniana era a mais pintada. Eles andavam com tintas verde, branca e vermelha.
A cada três torcedores, dois tinham as cores no rosto. Se quase pararam a
Argentina, não fosse a genialidade de Messi, por que não acreditar? Uma
bandeira, já marcando o encontro com a França nas oitavas de final, deixava
claro: “They believe”. Nem eram tão otimistas - vários acreditavam no palpite
de 2 a 1. Pouco, Se comparado com a chuva de gols que se viu até então na Fonte
Nova. Mas, independentemente do placar, o sonho era muito maior: eles queriam
fazer história, passando pela primeira vez a um mata-mata de Copa do Mundo.
A Bósnia começou melhor, controlando as ações de jogo. Estrela do
time, Dzeko, jogador do Manchester City, teve as duas primeiras chances. O
goleiro Haghighi espalmou chute de dentro da área e encaixou uma cabeçada.
Pjanic, meia do Roma, ditava o ritmo do jogo. Pelo domínio, era questão de
tempo para o gol sair. E saiu. Aos 23 minutos, Dzeko recebeu na intermediária,
puxou para a esquerda e finalizou de canhota. Rasteiro e sem tanta força, a la
Neymar contra a Croácia. A bola ainda tocou na trave antes de entrar.
O goleiro Haghighi pegou a bola dentro
do gol e correu para o meio de campo. Com palmas, tentava acordar sua sonolenta
equipe. E pareceu ter dado certo. O Irã, muito mais na raça e embalado pelos
gritos de “Irã” vindos da arquibancada, equilibrou a partida. Shojaei, meia do
Osasuna que atuou pela direita, era o jogador mais perigoso e lúcido. Foi ele
quem acertou o travessão do goleiro Begovic, na melhor chance dos asiáticos no
primeiro tempo. Mas, passada a euforia, a Bósnia voltou a se impor e mandar no
jogo. Dzeko achou passe espetacular para Vrsajevic, que perdeu ótima chance de
aumentar. O chute saiu cruzado, mas sem direção. O árbitro espanhol Carlos
Velasco apitou o final deu m primeiro tempo muito parado e pouco jogado. O
sonho iraniano, tão latente na porta do estádio, festava cada vez mais
distante.
O segundo tempo começou como terminou o primeiro, com domínio
bósnio. Todas as jogadas passavam ou terminavam em Dzeko, melhor jogador em
campo. Em erro grotesco na saída de bola iraniana, triangulação rápida de
Dzeko, Ibisevic e Pjanic que, em posição de impedimento, concluiu cruzado: 2 x
0. Também em uma repetição da primeita etapa, o Irã melhorou. Com o apoio da
torcida baiana, que entrou no coro, pressionou. No entanto, uma furada de
Dejagah mostrou a fragilidade técnica dos iranianos. A Bósnia, muito mais
organizada, mostrou qualidade e administrou o jogo. Não fosse a derrota para a
Nigéria, com grande atuação do goleiro nigeriano, os bósnios estariam
classificados. Despedem-se honrosamente da Copa.
Perto do final do
jogo, aos 37, Ghoochannejad diminuiu para o Irã. O estádio incendiou. Mas a
alegria durou pouco e, um minuto depois, Vrsajevic aumentou e fechou o caixão
iraniano. Fim de Copa, para ambos, e de sonho para os iranianos. Choro dos
jogadores em campo. Pelo jogo, ficou claro que a esperança era quase uma
loucura. Daquelas loucuras que só a Copa proporciona e que fazem valer a pena.
Despedem-se com aplausos e gritos de “Irã” vindos da arquibancada.
Fonte: PLACAR
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