Os seis dias entre a partida das oitavas de final contra o
Chile e a das quartas contra a Colômbia foram pautados praticamente por um só
assunto para a seleção brasileira: o estado psicológico dos jogadores. Se
alguns se emocionaram durante a disputa de pênaltis, e outros durante o hino
nacional à capela, houve quem usasse isso para acusar a equipe de despreparo
emocional. Pois bem: Luiz Felipe Scolari e Neymar falaram sobre isso em suas
entrevistas coletivas, o resto foi esquecido e o time aproveitou para entrar
totalmente mudado para o duelo com a Colômbia. Resultado? Vitória por 2 a 1 e a
vaga nas semifinais do Mundial que sedia. Será a primeira semifinal do Brasil
desde 2002.
E o gols do triunfo não poderiam ser mais simbólicos: o
1°, de Thiago Silva, logo no início do jogo, do capitão que assumiu que não
queria bater pênalti contra o Chile, que sentou em uma bola e, emocionado,
chorou; e o 2°, de David Luiz, o provável capitão da semifinal, já que Thiago
está suspenso (Júlio César também é candidato), em linda cobrança de falta. Se
redimiram, se é que essa é a palavra para justificar um momento de emoção, e
não de fraqueza, como aquele contra o Chile. Na próxima terça-feira, Brasil e
Alemanha duelarão pela segunda vez na história das Copas, em Belo Horizonte.
Vale a vaga para a tão sonhada final, para apagar qualquer maldição que possa
existir desde 1950.
Fases
do jogo: O
Brasil entrou pressionando a Colômbia no campo de defesa rival, lembrando a
postura apresentada na última quarta de final disputada pela seleção - contra a
Holanda, em 2010. A mesma velocidade na saída de jogo - principalmente com
Fernandinho, destaque do meio campo - e ótima postura defensiva, tanto com
David Luiz como com Thiago Silva, que souberam ajudar Maicon na direita , o
lateral que substituiu Daniel Alves. O resultado foi o gol de Thiago Silva,
logo aos 6 minutos, aproveitando bola que passou por toda a defesa colombiana
em escanteio cobrado por Neymar.
Só que, diferentemente de 2010, o Brasil não esmoreceu na
segunda etapa. O ritmo, é claro, foi diminuído. Mas não com desespero ou erros,
e sim com cadência. A Colômbia não conseguiu fazer a bola chegar em James
Rodriguez e Cuadrado, no meio, muito menos a seus atacantes. E assim o Brasil
aproveitou que os colombianos optavam por matar os ataques rivais com faltas
para aumentar o placar assim: David Luiz cobrou colocado, no ângulo esquerdo de
Ospina, que tocou na bola, mas sem força para afastá-la.
Claro, não faltou drama: Bacca saiu na cara de Júlio César
aos 31 minutos de jogo e foi derrubado. James Rodríguez cobrou o pênalti muito
bem, rasteiro, e diminuiu. Foi a deixa para que a Colômbia pressionasse. E para
que a zaga brasileira se destacasse atrás como fez na frente. A bola não mais
tocou as redes e o Brasil está entre os quatro melhores do mundo.
O
melhor: Fernandinho - O volante que
ganhou a vaga de titular para a fase de mata-mata da Copa justificou mais uma
vez a escolha de Felipão. Na defesa, Fernandinho fez sua parte e a de Paulinho
(que substituiu Luiz Gustavo, suspenso). diminuindo os espaços de Cuadrado e
James Rodriguez e dificultando qualquer chegada colombiana. No ataque, foi a
válvula de escape do Brasil, levando a bola para Neymar e Hulk, já que Oscar,
novamente, teve atuação fraca, sumido no jogo. Thiago Silva também merece
destaque: teve boa atuação na zaga para somar ao gol marcado - o problema é
que, em lance infantil, se colocou entre o goleiro Ospina e a bola durante
reposição colombiana e levou amarelo, que suspende o defensor da semifinal.
O
pior: Cuadrado - O meia
colombiano foi anulado por Fernandinho. Diferentemente das chances que teve
contra os três rivais da primeira fase e contra o Uruguai, nas oitavas,
Cuadrado não achou nenhum passe para seus companheiros atacantes ou mesmo para
James Rodriguez. Não à toa, quando a Colômbia diminuiu o placar e tentava
pressionar o Brasil, foi ele o escolhido para sair para a entrada do meia
ofensivo Quintero.
Chave
do jogo: Os defensores brasileiros. Thiago Silva e David Luiz tiveram ótimas atuações na
defesa e, para substituir a inoperância de Oscar e Fred, e a fraca atuação de
Neymar, foram ao ataque para dar a vaga à seleção. Thiago Silva mostrou que tem
oportunismo, já que tocou a bola para o gol colombiano após quatro zagueiros
rivais deixarem passar. Já David Luiz mostrou talento com a bola no pé:
cobrança espetacular de falta, no ângulo.
Toque
dos técnicos: Felipão
'celebrou' os gols de seus zagueiros colocando mais jogadores para ajudá-los.
As três substituições que fez foram para a entrada de quem se postaria à frente
da defesa para protegê-los: Hernanes, Ramires e Henrique entraram. A opção
defensiva ficou clara quando Neymar sentiu dores nas costas, aos 41 minutos da
segunda etapa, e foi Henrique o escolhido para entrar, deixando Fred e Oscar
sozinhos no campo ofensivo.
Para
lembrar: James Rodriguez, um dos melhores
jogadores da Copa até as quartas de final - e artilheiro, com seis gols -, vive
uma maldição
particular: ele nasceu no dia 12 de julho de 1991, um dia antes
da última vitória colombiana sobre o Brasil (2 a 0 pela Copa América). Não
conseguiu quebrá-la em Fortaleza.
Com a classificação, o Brasil evitou
igualar seu recorde de Copas seguidas sem aparecer entre os quatro melhores: isso só
aconteceu uma vez, entre as Copas de 1982 e 1990.
O gol de Thiago Silva foi o primeiro
de um capitão da seleção em Copas desde Raí, em 1994 - o
meia começou a copa como titular e capitão, perdendo depois a vaga no time para
Mazinho e a faixa para Dunga. Dunga, em 1994 e 1998, Cafu, em 2002 e 2006, e
Lúcio, em 2010, não marcaram usando a braçadeira.
BRASIL
2 X 1 COLÔMBIA
Data: 4 de julho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Castelão, em Fortaleza (CE)
Árbitro: Carlos Velasco Carballo (ESP)
Assistentes: Roverto Alonso Fernandez (ESP) e
Juan Yuste (ESP)
Cartões amarelos: Thiago Silva, aos 17 min.,
Júlio César, aos 31 min. do 2°t (BRA); James Rodriguez, aos 21 min., Yepes, aos
27 min. do 2°t (COL)
Gols: Thiago Silva, aos 6 min. do 1°t, David
Luiz, aos 23 min. do 2°t (BRA); James Rodriguez, de pênalti, aos 34 min. do 2°t
(COL)
BRASIL: Júlio César; Maicon, Thiago Silva, David Luiz e
Marcelo; Fernandinho, Paulinho (Hernanes, aos 40 min. do 2°t) e Oscar; Neymar
(Henrique, aos 42 min. do 2°t), Hulk (Ramires, aos 37 min. do 2°t) e Fred
Técnico: Luiz Felipe Scolari
COLÔMBIA: Ospina; Zuñiga, Zapata, Yepes e Armero; Sanchez,
Guarín, James Rodriguez e Cuadrado (Quintero, aos 35 min. do 2°t); Ibarbo
(Adrián Ramos, no intervalo) e Teófilo Gutierrez (Bacca, aos 27 min. do 2°t)
Técnico: José Pekerman
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