Crédito: Michael Dalder/Reuters
Aparentemente,
a segunda semifinal da Copa do Mundo de 2014 teve como influência direta a
pífia atuação da seleção brasileira contra a Alemanha, quando foi humilhada ao
levar goleada por 7 a 1 no Mineirão. Nem Holanda nem Argentina se arriscaram
durante os 120 minutos de jogo desta quarta-feira, no Itaquerão, quase
mostrando que preferiam tentar a vaga dentro de muita cautela do que com
futebol ofensivo. O resultado foi um jogo fraco tecnicamente, sem grandes
momentos de emoção, e que só foi decidido nos pênaltis. Após o 0 a 0, Messi
abriu a série Argentina com gol. E aquele que já foi eleito quatro vezes o
melhor do mundo terá a chance de, enfim ganhar uma Copa, e logo na casa do
principal rival de sua seleção. Vitória da Argentina por 4 a 2 nas cobranças e
vaga na decisão.
A
Copa terá um duelo entre América do Sul e Europa em seu jogo final. Os
sul-americanos, com a Argentina, buscarão empatar o número de conquistas em 10
a 10; os europeus, com a Alemanha, tentarão se consolidar como os maiores
campeões. O Maracanã, assim como em 1950, será o palco da decisão – a partir
das 16h do próximo domingo. Ou o mundo terá o carrasco do Brasil como campeão,
ou uma seleção azul celeste. De qualquer maneira, 64 anos depois, a história
terá contornos iguais. E a consagração de uma geração formada há oito anos ou
do melhor jogador da última década.
Fases
do jogo: 22 horas
depois do Brasil levar sete gols da Alemanha, houve quem se decepcionasse com o
0 a 0 do 1° tempo entre Holanda e Argentina. O problema é que, diferentemente
do duelo de terça-feira, no Itaquerão não havia uma seleção que saísse de seu
estilo de jogo, e muito menos de forma tão negativa com a seleção brasileira.
Assim, a Holanda seguiu como foi por toda a Copa, jogando com cinco defensores
e esperando o ataque rival para roubar a bola e buscar Robben, que perdeu o
duelo para Demichelis e Garay nas poucas arrancadas que teve chance, enquanto
os argentinos atacavam mais, mas sempre na base da individualidade - claro,
principalmente com Messi. O craque da Argentina tentou por algumas vezes sua
jogada preferida, a arrancada com a esquerda, mas a zaga holandesa soube como
detê-lo.
Na segunda etapa, o panorama do jogo pouco mudou. Cada
seleção criou apenas uma chance real de perigo - e ambas foram anuladas pela
arbitragem, por impedimentos corretamente marcados. A partir dos 10 minutos
finais, o clima modorrento imperou - quebrado apenas por Robben, aos 45
minutos, travado por Zabaleta na entrada da pequena área. Restou a prorrogação.
E nada de alguma mudança surgir. A Holanda até tentou atacar mais, saindo um
pouco de seu padrão tático, mas o momento de maior susto no tempo extra foi
quando Cillessen, o goleiro holandês, driblou Palacio na área, correndo risco
enorme para o momento decisivo da partida.
Nos pênaltis, Romero se consagrou: pegou as cobranças de
Vlaar e Sneijder e, como os argentinos converteram suas quatro cobranças, foram
à final com Maxi Rodriguez acertando o último.
O
melhor: Romero - O
goleiro argentino não precisou trabalhar durante o jogo, mas se consagrou com
dois pênaltis defendidos na hora decisiva. Um desses pênaltis de Vlaar,
zagueiro holandês e melhor jogador durante os 120 minutos de 0 a 0. Ele atuou
mais na sobra do seus companheiros no sistema 5-3-2 montado por Van Gaal. Dessa
maneira, era ele que sempre se aproveitava de quando os holandeses conseguiam
cercar Messi e cia.: após um ou dois dribles, Vlaar chegava para marcar um
adversário já desequilibrado e efetuava o desarme. Nas bolas aéreas e
lançamentos longos ele também mostrou ótimo senso de antecipação. Só foi falhar
nos pênaltis, quando bateu o 1° holandês e perdeu, parado por Romero.
O pior: Sneijder - O meia holandês mais apareceu por cobranças de falta
tortas, para longe do gol ou fora do alcance de seus companheiros, quando
tentou cruzar, e por reclamar ao extremo com a arbitragem. Em qualquer lance
duvidoso Sneijder era o primeiro a aparecer aos berros e gesticulando muito
contra o trio turco que apitou a semifinal. Como joga praticamente sozinho no
setor de criação holandês, a bola pouco chegou a Robben e Van Persie (depois
Huntelaar), já que Sneijder não foi capaz de superar a marcação argentina. Para
completar, ainda perdeu seu pênalti na disputa final.
Chave do jogo: Quem avançasse com a bola rolando faria isso com seu
estilo de jogar. Então, seria difícil criticar qualquer seleção por inventar em
hora tão decisiva - ou elogiar qualquer time por encontrar novas maneiras de
jogar no momento mais importante da Copa. O jeito "mais justo" de
decidir quem avançaria em jogo tão fechado no campo das táticas foi a disputa
de pênaltis.
Toque dos técnicos: Louis Van Gaal queimou sua terceira substituição no começo
da prorrogação, impossibilitando a repetição da já histórica tática que usou
contra a Costa Rica nas quartas de final: o uso de um novo goleiro para a
disputa de pênaltis. Em vez disso, optou por tentar aumentar a ofensividade de
seu time ao tirar De Jong, vindo de contusão, e colocar Clasie, meia. Se
daquela vez a troca foi fundamental, desta vez ficou mostrado por que ela
ocorreu: Cillessen não pegou nenhum.
Já Sabella manteve seu estilo: mexeu
por duas vezes no ataque, colocando Agüero e Palacio, e só na prorrogação
fortaleceu o meio, para que a bola chegasse com mais qualidade em seus
jogadores de frente, ao colocar Maxi Rodriguez. E foi Maxi que fez o pênalti
decisivo para a vaga na final.
Para lembrar:
Diferentemente de todos os outros
jogos da Copa, pouquíssimas camisas da seleção brasileira foram vistas nas arquibancadas do
Itaquerão. Se foi por causa do frio - 19°C no início da partida - ou se graças
a derrota de 7 a 1 para a Alemanha na última terça, provavelmente jamais será
possível saber.
Os torcedores argentinos não perderam
a chance de fazer piada com a goleada de 7 a 1 sofrida pelo Brasil. Com faixas e
cantos, provocaram os rivais durante o duelo contra a Holanda.
Em 2008, a Argentina foi campeão
olímpica e eliminou a Holanda nas quartas de final por 2 a 1, na prorrogação.
Daquele time, nove estão
entre os 23 argentinos na Copa (Messi, Garay, Lavezzi,
Zabaleta, Gago, Di María, Mascherano, Agüero e Romero) – ou seja,
uma base que joga junto, no mínimo, há seis anos. Diferentemente do Brasil, que
em 2008 ficou com o bronze e, daquele time, apenas quatro nomes sobreviveram
para a Copa-2014 (Marcelo, Hernanes, Thiago Silva e Ramires).
HOLANDA 0 (2) X (4) 0 ARGENTINA
Data: 9 de julho de 2014
Horário: 17h00 (de Brasília)
Local: Itaquerão, em São Paulo (SP)
Árbitro: Cuneyt Cakir (TUR)
Assistentes: Bahattin Duran (TUR) e Tarik
Ongun (TUR)
Cartões amarelos: Martins Indi, aos 43 min.
do 1°t, Huntelaar, aos 15 min. do 1°t da pror (HOL); Demichelis, aos 3 min. do
2°t (ARG)
HOLANDA: Cillessen; Kuyt, Vlaar, Martins Indi (Janmaat, no
intervalo), De Vrij e Blind; Wijnaldum, De Jong (Clasie, aos 16 min. do 2°t) e
Sneijder; Robben e Van Persie (Huntelaar, aos 5 min. do 1°t da pror.)
Técnico: Louis Van Gaal
ARGENTINA: Romero; Zabaleta, Garay, Demichelis e Rojo;
Mascherano, Biglia, e Enzo Perez (Palacio, aos 35 min. do 2°t); Messi, Lavezzi
(Maxi Rodriguez, aos 9 min. do 1°t da pror.)e Higuain (Agüero, aos 36 min. do
2°t)
Técnico: Alejandro Sabella
FONTE: www.uol.com.br

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